segunda-feira, 19 de abril de 2010

Samba do crioulo doido

Você já sambou descalço no asfalto quente? Ou curtiu uma night com um tomador de remédio controlado? Senhoras e senhores, se segurem em suas cadeiras que o estandarte do sanatório geral vai passar!

Sexta, samba e solteirice: combinação bombástica. Duas solteiras resolveram atender o chamado do tamborim e foram se esbaldar num samba quente. O local era conhecido pela música de primeira, coisa de fazer múmia quebrar as cadeiras de tão bom. O único probleminha era a feiúra dos frequentadores masculinos, como se ali acontecesse semanalmente o 'Congresso Nacional dos Feios e Esquisitos'. Mas solteira que é solteira não sai de casa só para arrumar bofe, sai para se divertir e sassaricar muito pela noite. Sem nenhuma pretensão amorosa, elas rumaram pro sambictha.

E dá-lhe remelexo, suingue, rebolado e simpatia. Tanto alto astral chamou a atenção de dois interessantes moçoilos que deveriam ter errado o estabelecimento e caíram lá. Quando as solteiras viram o Ibope subindo começaram a sambar como a Valéria Valenssa em tempos idos. Os indivíduos se aproximaram e cada um foi para sua vítima. Uma delas se engraçou com o mais alto, mais forte e brincalhão. A outra ficou interessada pelo mais baixinho, mais calado e de toca na cabeça. Comecem a reparar os indícios do furacão. O sujeito me bota uma toca pra ir  num samba, lugar com 102% de certeza a alcançar fácil os 48°C. Tá. O papo da paquera se desenrolou normalmente até o nanico contar que na verdade a toca estava protegendo os pontos que ele havia levado na cabeça depois de rolar ribanceira abaixo. Tinha também machucado os braços e costas, como se tivesse feito carinho em muro de chapisco. Completando o pacote, era a terceira, TERCEIRA vez que o fulano rachava a cuca. Histórico muito interessante. Naquele forno o cara vai de toca, com pontos na cabeça, não consegue nem ficar muito tempo de pé por causa dos machucados e conta a história como se fosse bem divertida. Nesse momento era hora dela dizer que ia comprar cigarros e não voltar nunca mais, porque os sinais de maluquice aguda eram claros. Mas a solteira com problemas graves de cognição não entendeu e beijocou o fugitivo do Raul Soares a noite toda. Os telefones foram trocados e cada um foi para sua casa. Ou hospício.

No dia seguinte a solteira convidou o raparigo prum outro sambinha, no que foi atendida. Deram poucos beijos e conversaram menos ainda, já que ele não era muito falante. Duas semanas depois e algumas mensagens trocadas, eles se encontraram no samba de sexta. Ela foi sozinha e não recebeu muita atenção do pertubado, que ficou muito mais tempo papeando com seus amigos, coisa parecida com um caso citado aqui. Uma semana se passa e a solteira retorna no mesmo batlocal e bathorário acompanhada por sua amiga sambista e uma colega dela. Muito estranhamente, o tarja preta não dá papo e muito menos assistência pra sua ficante. Ela entendeu que ele não estava mais afim e continuou sambando até furar a sola do sapato. Até que uma hora viu o infeliz conversando bem animado com a colega de sua amiga e fingiu que nada estava acontecendo. Sambou no salto alto e escutou da tal colega a confirmação que o toca estava dando de cima, mas que ela nunca faria nada respeitando à solteira. Chamou o menino de galinha e safado e deixou claro que não tinha o menor interesse. Humhum... A colega do coração de ouro passou a noite todinha conversando, sorrindo e jogando o cabelo sedutoramente pro louco, tipo uma mini Joelma do Calipso. O rapaz parecia ter superado sua dificuldade em falar, pois era um verdadeiro palestrante de tanto assunto que arrumava. Agora um momento reflexivo. Você sai de casa toda embonecada sabendo que irá esbarrar com a fraude que está ou estava beijando e encontra a colega inocente da sua amiga. Daí fica claro que o moçoilo não quer mais te beijar, coisa mais que normal e compreensível. Só que ele se engraça pro lado da menina que estava com você e ela retribui as investidas dele, sendo que na hora de despedir da colega, percebe que eles trocaram de telefone nas suas costas.  Diante da cena surreal, marque a opção correta: a) quebre uma garrafa na cabeça dele, pois que diferença fariam cinco novos pontos numa cuca toda destroçada?; b) jogue sal com pimenta nos olhos da menina retribuindo a gentileza que ela lhe fez; c) compre duas passagens só de ida para o Afeganistão e dê para o casal de pombinhos curtir sua paixão explosiva; d) vá embora com o queixo arrastando no chão. A solteira escolheu a última alternativa e voltou azul Avatar pra casa de tão chocada.

No dia seguinte nossa pobre solteira fica sabendo que o psicótico convidou a fura olho pra ir num outro sambinha que por coincidência ela também iria. (é impressão minha ou esse povo só conhece um estilo musical na vida? Jesus de Nazaré, é tanto samba que já estou com as pernocas doloridas!). A solteira deixa claro a fura olho que o caminho era livre, se eles estavam um afim do outro que se pegassem e fossem felizes. A outra depois de receber o green card, ainda tem a audácia de sugerir a solteira que ficasse com o maluqueto. Se porte de arma fosse liberado, tinha gente que nessa noite ia voltar igual peneira de tanta bala. Quinze minutos depois, a coração de ouro e o sem noção se beijavam como se não houvesse amanhã. A solteira ficou hiper mega sem graça, afinal os amigos dele que ela acabou conhecendo estavam ali assistindo tudo e rindo. Situação chata, mesmo ele não valendo R$ 0,30 e não ter se envolvido com nossa amiga. Ela queria ter ficado invisível, ter se transformado em pilastra ou ser abduzida, mas continou firme e forte sambando na avenida. A noite acabava com gosto de batida de jiló com boldo. Uma semana depois a solteira voltou com suas amigas no mesmo lugar e viu o maluco beijando outra menina diferente. Esfregou os olhos achando que era alucinação, mas viu que a fila dele corria mais que atleta do Quênia na São Silvestre.

O que aconteceu depois é roteiro de filme. Em três semanas o casal  sem noção começou a namorar firme, com direito a buquê de flores na comemoração de um mês de joselitices juntos. Quatro dias após a festividade, eis que o destino prega uma peça a solteira e reúne em um só lugar sua amiga sambista, ela e a fura olho. O Tonho da Lua não estava presente porque tinha ido no aniversário da madrinha, mas meia hora depois chegou sorrateiramente no recinto sem avisar sua amada. E aí foi um Deus nos acuda. A namorada Joelma ficou com sangue nos zóio e desabafou com as mulheres que tinha uma intuição ruim sobre ele, que ele não prestava e blábláblá. Sei... Completando o quadro nonsense, o mané nem foi cumprimentar sua querida ninfa, ignorando-a completamente. A fura olho mostrou a que veio e teve um surto, chorando horrores no meio do salão e dizendo que ia embora naquele instante. Trocou algumas frases com o abilolado e terminou o romance ali mesmo, no calor da fúria. Não é preciso dizer a graça que a solteira achou daquele circo todo, era melhor que a encomenda. O namoro relâmpago acabou com mais baixarias, a ponto dele a excluir do MSN e ela soltar um cabeludo palavrão cada vez que alguém citava o nome do desgramado. A solteira delirou e foi pra galera, agradecendo aos céus por ter se livrado de uma fraude tão atormentada. 

São Solteiro não abandona devota fiel e sempre arruma um mestre-sala pra qualquer porta-bandeira. Chora cavaco e segura percussão!

2 comentários:

  1. "coisa boa é Deus quem dá,
    besteira e a gente que faz"
    (Conta Outra de Edu Tedeschi)

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